Hoje me lembrei de um texto que li um tempo atrás e gostei muito, da Clarah Averbuck, uma escritora cheia de estilo que conheci quando assistia a um programa Provocações, na TV Cultura. Foi nesse dia que soube da existência do livro “Pergunte ao pó”, que, na ocasião, a Clarah apontou como seu preferido. Também curti, e muito! Enfim, Clarah e Provocações são dois assuntos que me trazem bastante coisa à cabeça, mas concentremo-nos no texto por hoje:
“Culhão. Homem tem que ter culhão. Não aquela macheza de lutador de vale-tudo, nada disso. Isso aí de força física qualquer mane tem, aliás, força física é coisa de mane.
Eu estou falando de culhões, bolas.
Culhão de gostar de mulher forte e não fugir dizendo que prefere uma mulherzinha. De assumir um compromisso e não ficar se refugiando nos braços de umas putinhas de carne firme e bunda empinada quando a coisa apertar, só pra se sentir macho. Culhão de botar filho no mundo e cuidar, e agüentar a mulher histérica na gravidez, e agüentar ver o parto sem desmaiar. E ainda sentir tesão depois.
Culhão de admitir quando está errado.
De bater o pé quando está certo.
De encarar a vida e não se acomodar pra deixar o sangue esfriar. De chorar quando sentir vontade, porque chorar é coisa pra macho. De se emocionar com algo mais do que futebol. De mandar tudo às favas às vezes e se mandar pra se encontrar. Culhão de ir embora quando as coisas são irreparáveis em vez de sentar a bunda no sofá e esperar uma intervenção divina. De tentar consertar tudo quando vale a pena.
Culhão de viver as coisas mesmo sabendo que pode se dar mal no fim. Mesmo tendo a certeza de que vai se dar mal no fim. A vida não tem anestesia e anda de mãos dadas com a dor.
De não rir de piadas sem graça pra agradar. De assumir o que gosta e o que não gosta mesmo que vire motivo de chacota.
De ser absolutamente devotado a algo, música ou uma mulher, sem ter pudores ou se importar com o resto do mundo.
Culhão de ir atrás dos sonhos, por mais bestas e utópicos que pareçam. E conseguir realiza-los e calar a boca de todo mundo.
De se vestir como bem entender.
De tomar uns porres e dar uns vexames e fazer de novo depois.
De pedir colinho quando precisar em vez de ficar se fazendo de fortão.
De resistir ás tentações da carne, porque a carne é fraca, mas a cabeça não pode ser.
De se jogar quando o abismo chama.
Culhão de trocar o certo pelo duvidoso sem pestanejar quando tem que ser feito, porque tem que ser feito.
De não fingir.
De falar em vez que ficar se esquivando. De não sumir e encarar as coisas quando dever ser encaradas.
Acho que é isso. Culhão. Você tem culhão? Espero que tenha. Ou que seu homem tenha. Ou aprenda a ter. Se bem que isso não se aprende, é inerente. Ou você tem, ou você não tem. Espero que você tenha.”
Clarah Averbuck
Ou seja: ter culhão é não ser pau mole! Também espero que você tenha!
Ácida? Doce? Acho que mista…
Eu tenho culhões…
Nem ácido, nem doce, na medida!
Isso aí, Dona Lô! Duro é saber que nós, mulheres, acabamos por ter mais culhões do que muitos homens por aí! rsrs
Verdade…